Quebra nas exportações não preocupa industriais do calçadoQuebra nas exportações não preocupa industriais do calçado

"Sentimo-nos muito orgulhos de ter aguentado a crise com quebras nas exportações de apenas nove por cento quando a nível global atingem os 25 por cento. Se conseguirmos manter este valor de quebra estamos todos de parabéns", afirmou hoje o presidente da Associação de Industriais do Calçado (APICCAPS).

Em declarações aos jornalistas, em Milão, onde decorre a maior feira de calçado da Europa, Fortunato Frederico avançou que, em contra-ciclo à quebra registada em todos os mercados, as exportações de calçado português para Itália cresceram 20 por cento, até Junho, para os sete milhões de euros.

"A nossa dor é menos forte do que a dos outros sectores", disse o presidente da APICCAPS, acrescentando que "há um ambiente de fé em relação ao futuro", esperando que, no próximo ano, a tendência de queda estagne para, em 2011, retomar a curva de crescimento dos últimos anos. As exportações de calçado cresceram 11 por cento entre 2005 e 2008, atingindo, no último ano, perto de 1,3 mil milhões de euros.

"Vamos sair desta crise sem grande mazelas", reforçou o representante dos industriais de calçado, acrescentando que é o momento de trabalhar na alteração da imagem do calçado português que está desajustada com a realidade.

"É preciso mudar a imagem que os sapatos portugueses têm no exterior, porque só melhorando a imagem podemos acrescentar valor ao nosso produto", defendeu o presidente do grupo Kyaia e dono da marca Fly London. "O sapato português tem que ser pago a preços europeus", reforçou Fortunato Frederico.

É neste contexto que a associação vai investir 17 milhões de euros (até final de 2010), mais 21 por cento do que no biénio anterior, na promoção externa, reforçando as acções promocionais em mercados maduros, mas também em mercados emergentes, como a Líbia, o México e Síria. De acordo com APICCAPS, "este ano e no próximo, 150 empresas vão participar em mais de 50 feiras internacionais", iniciativas apoiadas pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e pelo programa Compete.

Fontes
AICEP, Público